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O Homem Antes do Best-Seller; Como Carlos Eduardo Nascimento transformou perdas, empreendedorismo, imigração e fé na men

Conhecido por amigos e familiares como Cadu, Carlos Eduardo nasceu em Santo André, no ABC Paulista, e cresceu em uma família marcada por dificuldades financeiras, alcoolismo e conflitos dentro de casa.

Publicado em 10/01/26
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O Homem Antes do Best-Seller; Como Carlos Eduardo Nascimento transformou perdas, empreendedorismo, imigração e fé na men

Por Verônica Rocha
Colunista – Brazilian Times

Antes mesmo de chegar oficialmente às mãos dos leitores, “Jovem, Levanta” já havia conquistado um lugar de destaque. A obra de Carlos Eduardo Nascimento alcançou o primeiro lugar na pré-venda e conquistou o selo de best-seller antes mesmo do lançamento oficial.

O resultado chama atenção, mas representa apenas o capítulo mais recente de uma história que começou muito antes dos livros, das entrevistas e do reconhecimento como escritor.

Para compreender “Jovem, Levanta”, é preciso conhecer primeiro o homem que o escreveu.

Conhecido por amigos e familiares como Cadu, Carlos Eduardo nasceu em Santo André, no ABC Paulista, e cresceu em uma família marcada por dificuldades financeiras, alcoolismo e conflitos dentro de casa. Segundo seu relato, as discussões entre os pais eram frequentes e, algumas vezes, terminavam em agressões e intervenções policiais.

Ainda criança, aprendeu a conviver com situações que não conseguia compreender. Mesmo naquele ambiente, porém, desenvolveu uma característica que o acompanharia pela vida: a sensibilidade diante do sofrimento do outro.

Criado na tradição católica, chegou a sonhar em ser padre. Admirava especialmente os franciscanos e a dedicação aos pobres, aos enfermos e às pessoas mais vulneráveis.

Havia, no entanto, uma pergunta para a qual aquele menino não encontrava resposta: por que existia tanto sofrimento dentro de sua própria casa?

A compreensão começaria a surgir somente muitos anos depois.

Após a morte da mãe, já adulto, Carlos Eduardo procurou familiares na tentativa de reconstruir partes da própria história. Foi então que conheceu em detalhes uma tragédia que mudaria sua maneira de enxergar os pais.

Quando Cadu tinha apenas seis meses de vida, sua irmã, Fabiana Nascimento, morreu vítima de um atropelamento.

Segundo Carlos Eduardo, a perda da filha devastou emocionalmente seus pais e deixou uma ferida que jamais conseguiram superar completamente.

Conhecer aquela história não apagou as lembranças difíceis da infância, tampouco justificou os erros cometidos dentro de casa. Mas permitiu que enxergasse, por trás do alcoolismo e dos conflitos, duas pessoas profundamente marcadas pela perda de uma filha.

A revolta começou, então, a dar lugar à compreensão.

A vida ainda lhe reservaria outras despedidas. Aos 17 anos, Carlos Eduardo perdeu o pai. Anos mais tarde, perdeu também a mãe.

Em meio às perdas e à necessidade de construir o próprio caminho, encontrou no trabalho uma possibilidade de transformação.

Foi assim que o empreendedorismo ganhou espaço em sua vida.

Ao recordar o início da trajetória profissional, Carlos Eduardo faz questão de reconhecer a importância de Hélio, seu ex-patrão e uma das pessoas que considera fundamentais em sua formação como empreendedor.

Foi trabalhando ao lado dele que aprendeu, na prática, sobre vendas, administração, responsabilidade e negócios. Mais tarde, Hélio lhe deu a oportunidade de continuar aquele trabalho ao vender-lhe as lojas.

Para Cadu, não se tratou apenas de uma negociação comercial. Foi um voto de confiança de alguém que havia participado diretamente de seu aprendizado e acreditado em sua capacidade de seguir adiante.

Durante viagens aos Estados Unidos, Carlos Eduardo também começou a comprar moletons para revender no Brasil. As primeiras peças tiveram boa aceitação, novas remessas vieram e o negócio cresceu.

Com o tempo, passou a administrar cinco lojas de roupas, além de uma equipe de aproximadamente dez colaboradores.

Depois de uma infância marcada por tantas incertezas, a estabilidade profissional parecia finalmente ter chegado.

 

Até que veio a pandemia.

Em 2020, o impacto da crise sobre o comércio mudou completamente seus planos. As vendas diminuíram, as despesas continuaram e, uma após a outra, as cinco lojas fecharam.

Em pouco tempo, Carlos Eduardo viu desaparecer aquilo que havia levado anos para construir.

Diante da perda dos negócios e sem saber exatamente qual direção seguir, decidiu iniciar um propósito de 40 dias de jejum e oração.

Segundo ele, não buscava apenas recuperar o que havia perdido financeiramente. Procurava direção para compreender qual seria o próximo capítulo de sua vida.

Ao final daquele período, recebeu uma ligação que abriu a possibilidade de recomeçar nos Estados Unidos.

A oportunidade profissional teve importância, mas existia uma razão ainda maior para aceitar a mudança: sua filha enfrentava sérios problemas de saúde e já havia passado por procedimentos e cirurgias delicadas. A busca por melhores condições para seu tratamento teve peso decisivo na escolha de deixar o Brasil.

Carlos Eduardo chegou aos Estados Unidos sem a estrutura profissional que havia construído no Brasil e sem uma nova família constituída. Naquele momento, era pai e carregava consigo a responsabilidade de cuidar da filha. Beth ainda não fazia parte de sua vida. Eles se conheceriam mais tarde, nos Estados Unidos.

Recomeçar significou aceitar as oportunidades que aparecessem.

Inicialmente, trabalhou com instalação de papel de parede. Depois, surgiu uma oportunidade na limpeza de piscinas.

Hoje, quando recorda esse período, Carlos Eduardo fala com gratidão.

Nos momentos mais difíceis, foi o trabalho limpando piscinas que lhe permitiu sustentar sua filha e atravessar uma fase de grandes incertezas.

Por isso, faz questão de reconhecer Diego e Michele, que lhe deram uma oportunidade justamente quando mais precisava trabalhar.

A experiência também lhe ensinou uma lição que carregaria para os anos seguintes: dignidade não está no cargo ocupado, mas na disposição de trabalhar honestamente e assumir as próprias responsabilidades.

Depois dessa fase, Carlos Eduardo passou cerca de um mês trabalhando e servindo na igreja onde congregava.

Pouco depois, outra porta se abriu.

A designer de interiores Ana Prata teve papel importante em seu retorno à instalação de papel de parede. Ela acreditou na qualidade de seu trabalho e ajudou a recolocá-lo no mercado.

Ana era amiga da corretora de imóveis Tayse Dantas, que também passou a indicar Carlos Eduardo a novos clientes. A confiança das duas abriu portas e ajudou seu trabalho a alcançar um mercado cada vez mais exigente.

Segundo o relato de Carlos Eduardo, a partir dessas indicações passou a realizar projetos para clientes conhecidos, entre eles o ator Bruno Gagliasso, o ex-campeão mundial de boxe Mike Tyson, o jogador Willian, ex-integrante da Seleção Brasileira, Léo Fuchs, ex-diretor da TV Globo, e THAY Oliveira, cabeleireira de famosos no Sul da Flórida.

Mais importante do que os nomes, porém, era aquilo que essa nova etapa representava.

O homem que havia administrado cinco lojas no Brasil e perdido seus negócios durante a pandemia estava reconstruindo a carreira nos Estados Unidos trabalhando com as próprias mãos.

E ele não esquece quem lhe estendeu a mão durante o caminho.

Hélio, Diego, Michele, Ana Prata e Tayse Dantas ocupam um lugar especial quando Cadu relembra sua trajetória. Para ele, reconhecer essas pessoas significa admitir uma verdade simples: nenhum recomeço acontece completamente sozinho.

Enquanto reconstruía a vida profissional, sua relação com a fé também se aprofundava.

A igreja tornou-se parte importante dessa nova etapa. Carlos Eduardo passou a se envolver com jovens, ações sociais e iniciativas voltadas ao cuidado de outras pessoas.

Foi nesse ambiente que conheceu Elizabeth Miranda Coelho, a Beth, mulher que mais tarde se tornaria sua esposa.

Inicialmente, os dois construíram uma amizade, mas um mal-entendido provocou um período de afastamento. Com o tempo, voltaram a se falar e, cerca de dois meses depois da retomada do contato, um episódio durante uma ação social mudaria definitivamente a relação.

Beth coordenava uma iniciativa para levar alimentos e doações a uma instituição que atendia pessoas em situação de rua. Foi durante aquela ação que se aproximou de Carlos Eduardo e pediu perdão pelo que havia acontecido entre os dois.

 

A conversa restaurou a amizade.

Pouco a pouco, a amizade ganhou outro significado.

Unidos por valores semelhantes, pela fé e pelo desejo de servir, os dois buscaram aconselhamento pastoral e oração antes de avançar no relacionamento.

Vieram o namoro, o noivado e, posteriormente, o casamento.

A união marcou também uma nova etapa ministerial. Carlos Eduardo e Beth passaram a compartilhar uma caminhada de serviço voltada especialmente a jovens, famílias e pessoas que buscavam apoio e direção.

Foi nesse contexto que a literatura entrou definitivamente na história de Cadu.

Carlos Eduardo já havia trabalhado durante meses em um livro sobre fé e neurociência. O manuscrito estava praticamente concluído quando, segundo seu relato, durante um período de oração compreendeu que deveria deixá-lo temporariamente de lado.

Antes daquele projeto, sentiu que precisava escrever um livro dirigido aos jovens.

A decisão significava guardar meses de trabalho e começar novamente.

Foi exatamente o que fez.

Nascia “Jovem, Levanta”.

Embora carregue inevitavelmente marcas da trajetória de seu autor, a obra não pretende ser apenas um relato autobiográfico. Sua mensagem é direcionada especialmente a jovens que enfrentam ansiedade, depressão, dependência química, abandono, conflitos familiares, falta de perspectiva e crises de identidade e propósito.

A ideia central nasce de algo que Carlos Eduardo precisou experimentar repetidas vezes ao longo da própria vida: levantar-se não significa apagar o passado, mas decidir que ele não terá a palavra final sobre o futuro.

Talvez seja justamente por isso que homem e obra estejam tão profundamente ligados.

O menino que cresceu tentando compreender o sofrimento dos pais descobriria, décadas depois, a dor que eles carregavam desde a morte de Fabiana.

O jovem que aprendeu sobre empreendedorismo com Hélio construiu cinco lojas e viu todas elas desaparecerem durante a pandemia.

O empresário precisou começar novamente em outro país.

Quem um dia liderou equipes encontrou dignidade limpando piscinas para conseguir sustentar a filha — e não esqueceu a oportunidade recebida de Diego e Michele.

Quando chegou o momento de reconstruir sua carreira, Ana Prata e Tayse Dantas ajudaram a abrir novas portas.

E, já nos Estados Unidos, o encontro com Beth deu início a um novo capítulo afetivo e ministerial.

Não é uma história sem dor.

Sua força está justamente no fato de que as perdas foram reais, mas não permaneceram como ponto final.

Antes mesmo do lançamento oficial, “Jovem, Levanta” alcançou o primeiro lugar na pré-venda e conquistou o selo de best-seller.

Para Carlos Eduardo, entretanto, o resultado mais importante não está na posição de um ranking. Está nas pessoas que podem se reconhecer nas páginas e encontrar nelas uma razão para continuar.

Ao contar sua trajetória, ele também divide os méritos. A gratidão às pessoas que surgiram em momentos decisivos revela algo da própria mensagem que hoje procura transmitir: há momentos em que levantar-se também significa aceitar a mão de quem aparece para ajudar.

Talvez essa seja a melhor maneira de compreender o homem antes do best-seller.

Carlos Eduardo Nascimento não chegou à literatura seguindo uma trajetória linear de sucesso.

Chegou depois de perder e reconstruir.

Depois de empreender e começar novamente.

Depois de trabalhar, servir, amar e continuar.

“Jovem, Levanta” nasceu dessa caminhada.

Antes de ocupar uma posição nas listas de vendas, foi uma experiência vivida.

E talvez a força de seu título esteja justamente aí.

Em muitos momentos da própria vida, essas também foram as palavras que Carlos Eduardo precisou transformar em decisão:

Jovem, levanta.

E continue.

 

Uma mensagem que agora atravessa fronteiras

A história ganhou também uma nova dimensão internacional. “Jovem, Levanta” agora conta com uma edição em língua inglesa, “YOUNG ONE, GET UP!”, ampliando o alcance da mensagem de Carlos Eduardo Nascimento para leitores nos Estados Unidos e outros públicos de língua inglesa.

Fonte: Brazilian Times

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